domingo, 25 de abril de 2010

O calor do tempo reencontrado seca-me a garganta e tu trazes-me vinho fresco, que eu bebo directamente do teu corpo, frio da água do tanque, quente do sorriso que me dás...

no amor que te tenho, de alguma forma reencontrei-me, a esse ser que eu tentava vislumbrar em águas por vezes turvas...qual partícula química mágica, tocaste a água e tornaste-a bem clara...quero-te e cada vez mais brutalmente!

Quero-te com a necessidade de ar, de comida, de descanso e de sol. És uma necessidade básica da minha existência e todavia não dependo de ti nem um centímetro. Não sei explicar esta aparente mentira, mas sinto-o assim mesmo. Tu também não, apenas ficamos puramente livres, dois deuses apenas aborrecidos por momentos em que sentimos saudade, sabendo ser ela o único mal necessário que estamos dispostos a aceitar entre nós.

Anda cá, rir-te em cima de mim...

domingo, 21 de março de 2010

Estrelas Cadentes

Não sei de que matéria és feita, se de carne como eu se de sonhos como te imagino e sinto. Escrevi antes palavras poucas, sentidas, que agora sinto serem um milímetro de olho aberto, inicio de vida do adormecer do qual me despertaste. Sou Romeu, não pela impossibilidade do nosso amor e pela impossibilidade do mesmo. Não sei o que és. Sei que tomaste a minha mão, que gentilmente me fizeste cair na erva, deitado ao teu lado, para contigo contar estrelas. Não sei o que és mas ao teu lado sei mais do que sou e sim, sonho. Não com o antes pausado atrevimento, não com o antes forte sentido poético, não com o antes sentido de finitude que sempre fez parte da minha existência entre vós.

Contigo Sou.

Estou tremendamente apaixonado por ti.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Papel de embrulho

Faz uns dias, num certo bar começou uma fábula entre dois seres humanos, cheios de medo e vida para partilhar. Ela impassível, ele nervoso (como sempre). Sinceros, muito. Por várias mesas e um sofá passaram, comeram, beberam os olhos um do outro e escreveram coisas que não tinham coragem de dizer ainda. Esta é uma delas.

Papel de embrulho

Esta noite, finalmente vou conhecer-te. Vais interromper estas minhas palavras a qualquer momento e eu vou fingir-me surpreendido, quando na verdade já pensei neste momento hoje em casa. Um pequeno muro, baixinho daqueles que se vê em passeios pelo campo, que vais saltar sem sequer te aperceberes. A música francesa ressoa, as pessoas falam e os talheres dançam valsas cintilantes, por entre bules vaporosos, qual caldeiras temporariamente adormecidas...

Abstraio-me, o silêncio de uma alma que vai ver o invólucro de outra é necessário, o momento de meditação é necessário. Estou sozinho e o espaço é belo, sim.
Todavia na verdade tanto se me faz. Vem rápido, vem rápido, invento ladaínha nova em língua de velhos, como as palavras em cantar arrastado de ceifeira antiga, o sussurrar ao feno do amor ido em França...vem rápido, vem rápido!

Não sei o que vou comer, se te vou comer ou se quero antes que me comas, ás dentadas...aos beijos longos, a tua mão...Vou parar agora, já estou com um formigueiro na barriga, mas na verdade é o meu coração que se agita...

Quero tanto provar o teu chocolate!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Precious

quando primeiro falaste comigo, julguei-te louca. sim, sempre soube, somos dois loucos, o bom da nossa loucura era corrermos por esse campo de sonhos que tínhamos feito só para nós...de uma certa maneira, já to disse, o nosso amor perdurará. agora vejo-o, agora compreendo-o, embora não existam palavras para descrever algumas emoções.

a tua falta de dor naquele momento, era para mim incompreensível e...chocante. esqueci-me de pensar que podia ser afinal de uma dor que se pusera em ti antes, ocupando-te.

quando mo disseste, feriste-me muito. eu estava completamente aberto, a receber o que tinhas para me dar e ainda não sou assim tão grande para deixá-la passar por mim como vento no topo da montanha e apenas colocar a tua cabeça no meu colo e dizer-te que tudo vai correr bem.

feriste-me, não de propósito, mas porque senti a angústia da tua palavra, o retesar do teu coração...e do meu, ao ver-te sofrer.

entendo agora, ao ver-nos assim, que sempre foi mais o que nos uniu que o que nos separou. abraço-te com força e digo-te que tudo vai correr bem, porque não pode ser de outra forma. és um ser humano magnifico, precious.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

De repente...

De repente, olho para ti e estou diferente. Não sei o que foi, não sei o que é, não sei se é mau ou bom. Estou diferente. Terei aquidescido ao que todos já sabem mas não admitem? Terei pensado que podia fazer como outros e simplesmente não pensar? Fazer sem pensar nas consequências? Respiro fundo...de uma forma estranha, continuo a ser eu, sei-o profundamente, todavia... olho-te de olhos mais firmes, amo mais a imagem que vejo mas foi sem pensar, foi sem plano e fazer...a sedução dá-nos um poder inusitado, no qual depressa embarcamos, penso. Não é só isso, reponto. Existem agora coisas que já não quero à minha volta e isso inquieta-me, porque antes estavam tão próximas! Sinto como se tivessem sido riscadas por uma simples equação matemática...do género, se queres continuar aqui tens de lutar pelo teu espaço porque este cometa está a partir...estranho. Faz por ti que eu agora estou ocupado a fazer por mim. Este tipo de pensamento nunca fez parte de mim. Teria sido isso o que me tem impedido? Será que fiquei egoísta? Não...risos...só gosto mais de mim. Gosto cada vez mais de partilhar. Agora, é verdade que me libertei e sou cada vez mais livre, não vivo a vida imposta pelos outros mas sim a que eu quero. Onde isso me levará, não sei mas acho que me vou divertir!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Escritor II

Só agora pensei, aquidesci no erro: na liberdade do pensamento coloquei rótulo nomenclado, não o querendo. Erro gigante, que agora destruo. Ás vezes, não sei o que sou, mas que a alma me verte na página, que o coração e entranhas lançam fogo dragão qual bestas aprisionadas, chamuscando-a...

Perdoem-me, meus sonhos...sois lindos e belos, voem e vertam, sejam bela e forte flor nessa terra fértil das ideias e ideais, não importa o vosso nome...mas que apenas sejam!

Aos fortes rios não se faz o caminho, a Terra apenas os abraça nas suas margens, onde quer que vão...

O Gosto dos Outros na minha boca...

Gosto imenso de parar. Adoro aquela sensação de aquário de peixes revoltos, que estrebucham, lutam por intenso oxigénio, por comida, por reprodução desenfreada...
Adoro parar no meio do aquário, ler nas expressões o cinzento e a luz com que ficam quando notam que alguém os olha e lê, sem saberem o quanto. São expressões de humanidade e eu não fujo delas, antes as procuro como que a certificar-me que ainda cá estamos, que quando chegamos a casa somos capazes de dar amor, carinho e sorrir intensamente.

Em quinze míseros minutos, vejo dor, amor, respeito e despeito. Vejo sorriso interior, exterior, vejo sonho e vejo vontade. Vejo silêncio e ouço corpos que falam, falam tanto...mãos que cruzam e puxam o corpo para si, com medo de o perder, que o percam...

Centenas, milhares de pessoas falam pela minha boca, sou arauto de palavras outras...

Arranjem a vossa palavra, são Homens como eu, Falem!