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sábado, 22 de janeiro de 2011

Rugas

Sabes, digo eu deliciado, acabei de descobrir umas rugas novas...umas debaixo do olho, de rir onde antes não ria e outras; descobri que o meu sorriso mudou também, cerca de uns dois milímetros.

Dois milímetros são o espelho da felicidade que sinto cada vez que te vejo, dois milímetros já chegam para mudar o eixo da terra, dois milímetros podem ser a esperança da humanidade...

Mudaste a minha expressão natural.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A vossa prenda de Natal

Olá. Tenho estado calado, porque agora tento falar menos. Tento sinceramente estar ao teu lado e ouvir-te, alma irmã minha. Sei que talvez não estejas habituada, afinal todos berram a sua história vencedora, é normal que olhes com estranheza quando alguém não te tenta furar os tímpanos. Sei que por vezes sou muito estranho. Poderás conhecer-me faz muitos anos e continuar a achar isso. Poderás conhecer-me faz pouco tempo e achar que me conheces a tua vida toda. Eu tanto sinto um como outro.

Este ano, que do meu silêncio me apontaste esses factos identificadores da minha história perante vós, vou-te contar o porquê e no fim vais-me permitir a partilha do motiv.

Toda a história tem um começo e este é um deles. Sei que nasci dividido e esse signo, tanto estelar quando mundano, sempre marcou o meu saborear deste mundo. Nasci no meio da luta de classes, dos pobres a tentarem roubar aos ricos. Devo ter ouvido muita música revolucionária enquanto esteva na barriga da minha mãe, porque apesar de ter nascido após o 25 de Abril, choro de emoção profunda sempre que ouço a Grândola. A minha mãe não pôde ficar comigo até aos 3 anos por causa de um acidente e até essa altura, fui criado pela minha avó em Lisboa. Lembro-me do cheiro a relva da Gulbenkian, do Sol que me acarinhava e dos pássaros. Aos 3 anos, fui para a minha mãe e saí de Lisboa para ir para uma aldeia do interior profundo, onde nem sequer chegava estrada de alcatrão. O meu pai era louco, a minha mãe divorciada e eu nem sequer era baptizado. Sei hoje que se formava pacientemente um caldo grosso de tubérculos diferentes, de onde havia de sair eu. Foram os tempos do gulag e apesar do nome que lhe davam, vivia-se muito bem por lá. Quando era pequeno lia imenso, tudo o que apanhava, como folhas de outono a passarem por dentro de mim. A minha personalidade sempre foi de extremos, exacerbada pelas mudanças, educações diferentes, natureza circundante e falta de alguém cujo modelo substituto apenas conheci nos primeiros 10 anos da minha vida (e que modelo era!!!). Os meus outros modelos eram por isso heróis, personalidades famosas e reis. Talvez por isso me tenha sentido um principezinho durante alguns anos. Depois o caldo que eu era foi atirado ao chão sujo, ainda bem porque é sempre preciso uma boa dose de porcaria para criar um homem. E eu lá me fui criando...

Sou...reunião de muitos pensamentos, alguns aéreos outros castanhos da terra, alguns outros cheios de azul do mar. Prefiro afirmar-te que tento ser bom, porque sei o que mais conta. Por vezes sou eu, outras o teu espelho. Ás vezes vais-me partir e até odiar; posso ser aquela tua consciência que não querias mesmo ouvir. Outras, olharás para mim e perceberás que acabei de dizer um chorrilho de disparates incomensuráveis; mas que tu na verdade me dás importância por aqueles outros momentos em que sabes que o meu ser acabou de transformar o teu, para sempre.

Este Natal, não falo do que aprendi contigo. Ofereço-te o meu silêncio contemplativo, dou-te o seu reflexo e convido-te com um sorriso a fazeres o mesmo.

Dou-te um primeiro capitulo do meu livro de vida e convido-te a escrever um comigo.

Sou todo teu, amigo meu.

domingo, 21 de março de 2010

Estrelas Cadentes

Não sei de que matéria és feita, se de carne como eu se de sonhos como te imagino e sinto. Escrevi antes palavras poucas, sentidas, que agora sinto serem um milímetro de olho aberto, inicio de vida do adormecer do qual me despertaste. Sou Romeu, não pela impossibilidade do nosso amor e pela impossibilidade do mesmo. Não sei o que és. Sei que tomaste a minha mão, que gentilmente me fizeste cair na erva, deitado ao teu lado, para contigo contar estrelas. Não sei o que és mas ao teu lado sei mais do que sou e sim, sonho. Não com o antes pausado atrevimento, não com o antes forte sentido poético, não com o antes sentido de finitude que sempre fez parte da minha existência entre vós.

Contigo Sou.

Estou tremendamente apaixonado por ti.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

De repente...

De repente, olho para ti e estou diferente. Não sei o que foi, não sei o que é, não sei se é mau ou bom. Estou diferente. Terei aquidescido ao que todos já sabem mas não admitem? Terei pensado que podia fazer como outros e simplesmente não pensar? Fazer sem pensar nas consequências? Respiro fundo...de uma forma estranha, continuo a ser eu, sei-o profundamente, todavia... olho-te de olhos mais firmes, amo mais a imagem que vejo mas foi sem pensar, foi sem plano e fazer...a sedução dá-nos um poder inusitado, no qual depressa embarcamos, penso. Não é só isso, reponto. Existem agora coisas que já não quero à minha volta e isso inquieta-me, porque antes estavam tão próximas! Sinto como se tivessem sido riscadas por uma simples equação matemática...do género, se queres continuar aqui tens de lutar pelo teu espaço porque este cometa está a partir...estranho. Faz por ti que eu agora estou ocupado a fazer por mim. Este tipo de pensamento nunca fez parte de mim. Teria sido isso o que me tem impedido? Será que fiquei egoísta? Não...risos...só gosto mais de mim. Gosto cada vez mais de partilhar. Agora, é verdade que me libertei e sou cada vez mais livre, não vivo a vida imposta pelos outros mas sim a que eu quero. Onde isso me levará, não sei mas acho que me vou divertir!

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Amor é uma commodity

Este texto persegue-me faz semanas. Eu, que não gosto de me sentir intranquilo e prendedor do que quero que seja livre, aqui o despojo. Nunca o alterei, nunca o voltei a ler, mas estranhamente voltava a mim de vez em quando, como a onda na praia, vermelha do sentimento poderoso. Vai-te, essa estrada longa e escura por onde queres ir chama-te e eu quero que vás! Desaparece e rápido porque dentro de mim já não há espaço para ti! Não quero que haja espaço para ti...

Commodity, i.e. é um termo que significa mercadoria, é utilizado nas transacções comerciais de produtos de origem primária nas bolsas de mercadorias. Usada como referência aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industrialização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. O que torna os produtos de base muito importantes na economia é o fato de que, embora sejam mercadorias primárias, possuem cotação e "negociabilidade" globais; portanto, as oscilações nas cotações destes produtos de base têm impacto significativo nos fluxos financeiros mundiais, podendo causar perdas a agentes económicos e até mesmo a países.

O Amor é uma commodity. Na verdade, nós somos todos commodities e como tal transaccionáveis. Consumidores finais cujas decisões finalísticas decidem o futuro de tudo, seja marca, letra de nova canção ou futuro politico de nações. Se tudo economicámos e transaccionamos, porque não o nosso maior bem, o Amor?

Eu represento uma certa pessoa, com um certo status social, uma certa conta bancária, uma certa idade, uma certa educação, um certo plano de vida. Na velocidade à qual marcamos a nossa vida, a maioria das pessoas deixou de efectivamente ser, para passar a ser o que o mercado quer que sejamos. Commodities.
Não temos tempo para o sentir, para o pensar, para entregar algo que já cá deixou de morar. Em vez disso transaccionamos. É mais rápido, é mais simples e na verdade já o fazemos faz muitos, muitos anos. Simplesmente, agora é oficial.

Cada ser humano tem o seu valor nesta bolsa do amor, com os maiores a serem os mais belos, os com mais dinheiro, os que de alguma forma são o sonho. Todos queremos ser milionários não? Quem decidiu o valor a atribuir? Fomos nós, mais ninguém. Com base nos valores que agora são os nossos deuses. Poder. Dinheiro. Juventude.

Então, jogamos nesta nossa bolsa, apostamos num ou noutro candidato-empresa-bem e esperamos que o negócio floresça a 100%, a 200% e a 300%...o tempo é curto e não o podemos perder com companhias...desculpem candidatos que não mostrarem evolução trimestral nos lucros que têm de nos trazer.

Quando nos fartamos, mudamos o nosso investimento com a mesma frieza com que colocamos dinheiro noutro banco porque ele nos diz que até paga mais. Não é necessário sequer que efectivamente pague, mas apenas que eu desfrute da intensidade de saber que tomei a opção de investir nalgum outro lado, porque aquele investimento simplesmente já não estava a render o que eu esperava...

Há que mudar, rápido. Assim nos tornámos, nós, commodities.

Vejo-o nas vossas caras, nas linhas desenhadas no vosso rosto, no tom de voz no metro ou no olhar de desespero e raiva com que são obrigados a justificar o injustificável. Ouço-o aos berros.

Digam-me, no vosso próximo investimento em que é que vão investir?